mapa temporário

em outros mares

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Eu gosto mais é desses dias em que a gente tem tudo a ver um com o outro.
Roger Dörl

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… Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam. Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.
(Martha Medeiros)

(Source: giu-lianna, via quandoessabombaexplodir)

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Era preciso inventar um solvente de mágoas. Um varredor de remorsos e um incinerador bem grande pras palavras não ditas. Era preciso uma nova brisa, um ar puro e limpo correndo entre nós dois agora. O mundo está cada vez mais confuso, e esta é provavelmente a fase mais difícil da minha vida. Qualquer amor é bem vindo, qualquer abraço, qualquer sorvete no domingo à tarde. No fim, os sentimentos passam como uma avalanche, os bons e os maus, misturados, e só o que nos interessa saber é se debaixo dos escombros ainda estaremos de mãos dadas.
Roger Dörl

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a poeira nos móveis sob a luz azulada da televisão;
um silêncio com cheiro de tinta de parede começando a rachar;
a goteira da pia, as havaianas pretas de dentro do box;
o meu amor pela noite registrado em todos os meus fichários;

eu, inteiro às avessas com meu olhar distorcido,
com meu desejo contido,
com meu lirismo cínico;

meu ideal de outro alguém como uma ausência corrosiva,
como a ferrugem de um afeto sem uso;
meu não-estar-no-mundo desde que nasci
e meu orgulho ainda infantil por haver chegado tão longe;

tudo o que arrasta ou apressa os meus dias,
tudo o que me escapa, tudo o que me acorda,
tudo o que me torna ou muito grande ou muito pequeno diante da vida,
tudo o que é ilusão e tudo o que é concreto em mim e à minha volta

pulsa, intensa,
contínua e incontrolavelmente
sob a pele fina de um nome
numa realidade que jamais termina.

Roger Dörl